É um absurdo o congresso querer proibir a adoção homoafetiva. Acredito que um casal homossexual pode ter sim condições de criar uma criança, tão bem quanto um casal hetero. Já discuti esse tema em outra oportunidade e em uma conversa com a Presidente do Grupo de Estudos e Apoio a Adoção - GEAD Recife, Suzana Sofia, fiquei muito impressionada quando ela me disse que em um evento sobre adoção, pediram para opinar sobre a adoção homoafetiva e antes dela responder, uma juíza que se encontrava ao seu lado, comentou baixinho que se fosse para ela dar a guarda de uma criança a um casal homossexual, preferia deixá-la o resto da vida em um abrigo. Fiquei completamente chocada com isso. Quem já foi em abrigos, sabe o quanto é triste uma criança que muitas vezes nem sabe de onde veio, e pior, é vermos tantas crianças abandonadas pelas ruas desse Brasil.
Para adotar uma criança é preciso ter preparo e encarar que será seu filho até o resto da vida e não por um momento. Tantos casais heterossexuais não vivem em condições psicológicas e financeiras de cuidar de crianças e ainda assim são apoiados, só porque são denominados de “família” pela igreja. Mas família, é a traição, o desafeto? Acredito que família é união, carinho, lealdade. Adoção é amor e se um casal gay tem amor para dar, educação e uma boa formação, porque não conceder a guarda de uma criança. Suzana Sofia me contou que a maioria das crianças que um casal heterossexual quer adotar são de pele clara, bem novinhas, e consideradas saudáveis. Grande parte dos casais homossexuais não tem tantas exigências, e chegam a optar pelas crianças que nunca são escolhidas para adoção por um casal “comum”.
E sobre os preconceitos que elas podem encarar, é claro que será preciso prepará-las para mais um tipo de ignorância que nosso povo tem de sobra. As escolas devem trabalhar o assunto, além dos pais, para que essa realidade seja encarada de forma limpa, longe de preconceitos e sofrimentos.
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